NÃO FALO DE EXTREMOS, APENAS DE ESTADOS DE ALMA.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O MEU ESTADO

TORTURA

Tirar dentro do peito a emoção,
A lúcida verdade, o sentimento!
E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ou vento!...

Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho de um momento...

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!

Florbela Espanca

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